Para quem ficou interessado na tragédia e quer conhecer mais um pouco, aqui está uma adaptação do Episódio II para os dias de hoje.
Durval, estranho – Dioníso
Morro – Tebas
Chefe – Penteu
Homens armados – Servo
Mulheres do morro: saem para trabalharem como prostitutas no asfalto – Bacantes: saem da cidade para as montanhas para cultuar.
Ele entrou carregado naquele lugar sujo. Um homem segurando seu braço esquerdo, outro segurando o direito. Pensou várias vezes em como seria recebido, mas definitivamente essa recepção não passou por sua cabeça. Olhou rapidamente para o ambiente e teve tempo de pensar no quanto estava diferente antes de ser jogado ao chão com violência.
- Aqui tá ele como você pediu, chefe – disse um dos homens armados que o trouxera.
O chefe olhou para o chão com desdém e via o desconhecido calmo, sem se importar com o jeito que era tratado. Não tinha medo algum, olhou e por um segundo pareceu ver um pequeno sorriso debochado. Sentiu raiva.
- Quem você pensa que é pra ficar dando uma de cafetão das mulheres desse morro? – disse duro e depois mais ameno completou:
- De onde você é?
O estranho se levantou calmamente. Não tinha pressa, não tinha medo algum. Especificou um tal lugar para o tal chefe, que não sabia dizer onde era, e logo depois completou:
- Eu trabalhava pro Durval! Já ouviu falar dele né? É daqui...
O chefe o olhou, analisou e riu. Fez algum comentário debochado para os homens armados que esperavam na porta e disse:
- Quem manda aqui agora sou eu! Tudo que acontece aqui é comigo, tá entendendo?
O estranho não respondeu, apenas riu internamente. Não era reconhecido... não pode deixar de lembrar da época que ele mesmo que mandava em tudo aquilo.
- Não obriguei nenhuma mulher a trabalhar pra mim... Elas trabalham fora do morro...
- Mas eu não deixei nenhuma mulher trabalhar pra você! Eu que mando! – gritou, mas o estranho não se alterou.
- Durval é muito mais importante...
- Cala a boca! Você não sabe com quem tá se metendo! Vai apanhar pra aprender quem manda por aqui!
- Ele vai voltar...
- Tira esse cara da minha frente! – disse aos homens armados que voltaram a carregar-lhe. Um pelo lado direito, outro pelo esquerdo.
Ele nada disse e deixou-se ser levado. Passaram por caminhos estranhos, mas para aquele estranho, eram conhecidos. Sabia onde estava indo e reconheceu o lugar que abriram e o jogaram dentro. Fecharam e se foram, iriam fazer com que se arrependesse, mas eles que iriam se arrepender. Conhecendo o ambiente não era difícil achar a saída. Sem se esconder e sem ser visto foi embora, mas sabia... voltaria.
